Nicarágua: Bispo Emérito e Três Líderes Católicos Detidos em Nova Onda de Repressão, Denuncia Organização

A Nicarágua volta a ser palco de preocupações internacionais com a denúncia de novas detenções de líderes religiosos. A organização Solidariedade Cristã Mundial (CSW) informou sobre a prisão do bispo emérito de Estelí, Juan Abelardo Mata Guevara, e de outros três clérigos católicos, ocorridas entre os dias 29 e 30 de junho. Embora tenham sido libertados após algumas horas de custódia, os incidentes intensificam os temores sobre a escalada da perseguição religiosa no país centro-americano, conforme relatos da entidade.

Detalhes da Detenção do Bispo Emérito

O bispo Juan Abelardo Mata Guevara, de 80 anos e aposentado do ministério episcopal desde 2020, foi o primeiro a ser detido. A CSW detalhou que o religioso foi preso em 29 de junho, enquanto recebia atendimento na Clínica San Juan, em Estelí. Ele foi subsequentemente transferido para a prisão de segurança máxima de El Chipote, localizada em Manágua, e liberado na mesma noite. No dia seguinte, 30 de junho, Mata Guevara foi novamente levado sob custódia, permanecendo detido até a tarde. Após sua libertação definitiva, a presença de agentes policiais em frente à sua residência gerou apreensão sobre uma possível vigilância contínua e restrições à sua liberdade de movimento. A situação de saúde do bispo, que usa marca-passo e é sobrevivente de câncer, adiciona uma camada de urgência às preocupações.

Prisões de Outros Líderes Religiosos

No mesmo dia 30 de junho, outros três proeminentes membros do clero católico foram alvo das autoridades nicaraguenses. O diácono Wilfred Aráuz Rodríguez, o padre Francisco Morales, da Igreja de La Cruz del Calvario, e o padre Rigoberto Delgadillo Sánchez, da Paróquia Santuário Divino Niño, foram presos na região de Estelí. Segundo a Solidariedade Cristã Mundial, os três líderes religiosos permaneceram sob custódia por aproximadamente 12 horas antes de serem liberados, somando-se ao rol de incidentes que evidenciam um padrão de repressão.

O Contexto da Perseguição e Vigilância Governamental

A organização CSW sugere que as detenções estão diretamente relacionadas a um sermão proferido pelo bispo Mata Guevara. Durante uma missa, o religioso orou pelos cristãos perseguidos no país e fez menção a líderes que enfrentaram exílio ou prisão domiciliar. A entidade destaca que é prática comum de indivíduos ligados ao governo infiltrar-se em cultos religiosos para gravar sermões e orações, repassando o conteúdo às autoridades. Essa vigilância ostensiva visa monitorar e coibir qualquer manifestação considerada crítica ao regime, criando um clima de medo e autocensura entre a comunidade religiosa.

Repercussão e Condenações Internacionais

A ação das autoridades gerou forte repúdio. O bispo auxiliar da Arquidiocese de Manágua, Silvio José Báez, utilizou suas redes sociais para criticar veementemente as detenções. Ele classificou o ocorrido como uma "agressão injustificada contra o bispo emérito de Estelí" e alertou que o episódio é um reflexo da grave situação política e social vivenciada na Nicarágua. Em nível internacional, Anna Lee Stangl, diretora de Advocacy e líder da Equipe das Américas da CSW, fez um apelo urgente ao governo nicaraguense. Ela exigiu o fim do assédio contra Mata Guevara e outros líderes religiosos, bem como o respeito irrestrito às liberdades de expressão e de religião, direitos fundamentais que estão sendo sistematicamente violados no país.

A Escalada da Repressão Religiosa na Nicarágua

O incidente envolvendo o bispo Mata Guevara e os outros três clérigos não é isolado, mas sim parte de um preocupante padrão. A Solidariedade Cristã Mundial revelou que, apenas no mês de junho, foram registrados 12 casos de prisões arbitrárias de líderes religiosos em toda a Nicarágua. Este número inclui seis pastores evangélicos e seis representantes da Igreja Católica, evidenciando uma repressão que transcende denominações específicas. Além das detenções, a CSW recebeu inúmeros relatos de ameaças e assédio direcionados a diversas igrejas, inclusive aquelas que eram percebidas como tendo alguma proximidade com o governo, indicando uma perseguição generalizada e indiscriminada contra a liberdade de crença no país.

A situação na Nicarágua continua a deteriorar-se, com as autoridades intensificando o cerco às vozes independentes, incluindo as da Igreja. As constantes detenções e a vigilância de líderes religiosos não só violam direitos humanos fundamentais, mas também aprofundam a crise política e social do país. A comunidade internacional permanece atenta, aguardando ações concretas do governo nicaraguense para reverter esse cenário de repressão e garantir o respeito à liberdade religiosa de seus cidadãos.

Fonte: https://exibirgospel.com.br

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